Pensando na não-violência, tema de hoje, aniversário da morte de Ghandi
PAZ PAZ PAZ!!!
Parece a mim um nome lindo, uma idéia maravilhosamente idealizada, mas que não tem sustentação para a realidade.
Estar em PAZ pessoalmente é mais fácil. No entanto, o sistema no qual vivemos não nos deixa usufruir do prazer da tranqüilidade, da calma....PAZ exige justiça, exige compromisso com a Verdade, com a Vida, exige que os conhecimentos e outras riquezas acumuladas pela humanidade estejam disponíveis para a grande população do planeta.
E será que está? Temos certeza de que não está. Nesse caso, o que nós simples “pessoas físicas” podemos fazer para melhorar o acesso aos bens da humanidade? Como cobrar dos governantes e de nós mesmos uma solução, um caminho?
Eu também quero PAZ
Visito uma comunidade indígena e observo:
A Escola Fundamental não oferece estímulo suficiente aos primeiros aprendizados na cartilha ortográfica de nossa língua. Os meninos e meninas não têm como ler um texto correntemente. Gaguejam, olham, gaguejam, baixam a vista envergonhados.. Ora, se aos 10, 11, 12 anos gaguejam, soletrando na tentativa de ler, não compreendem os conteúdos e significados do texto em sua frente, mesmo que trate da mandioca, do milho, do peixe, ou da história do Brasil.
Mas eu cidadã, quero PAZ!
Pergunto à professora da escola? O que falta para essa escola dar melhor ensino aos meninos e meninas? Ela me olha espantada, emudece enquanto o olhar incrédulo se ausenta. Será que ninguém havia lhe perguntado isso? Será que ela se pergunta?
Fico plantada na observação do fato.
Este menino, esta menina logo terá 14 anos, terá vontade de trabalhar, quererá comprar TV, DVD, moto. Namorar, ter filhos. A casa pode ser feita na aldeia. Mas continuo a perguntar: De que se nutre a inteligência desses meninos-homens, meninas-mulheres, o que desejam para si? Como vêem esse nosso mundo que lhes aparece como ideal?
Com a chegada das disputas políticas, alguém acena para eles com um empreguinho de oitava categoria, talvez vigia do posto, talvez lhes forneça uma moto para trabalhar como moto-boy, ou falem até em agente sanitário...Poucas vagas, pouca competência, muitas bocas.
Quero PAZ, penso eu.
Ora, o que um menino desses pode fazer conscientemente como profissão?
Dentro de uma população de 100 meninos, talvez 10 terminem o 1° grau. Talvez DOIS concluam um segundo grau fajuto, com uma deficiência vocabular de fazer agonia. Terceiro grau? Nem pensar, nem mesmo têm esperança suficiente para buscar uma vaga nas cotas oferecidas pelas universidades públicas mais próximas. A deficiência no estudo lhes bloqueia a estrada.
Eu também quero PAZ!
Mas,,,, de que PAZ estamos falando?
Daqui a pouco os meninos estarão com uma garrafa de cachaça nas mãos, bebendo na presença dos filhos, violentos com as próprias companheiras, eles aos 17, 18, 20, desdentados e desnutridos de esperança.
Nem mesmo um bom serviço dentário lhes preserva a arcada dentária, pronta para morder e se nutrir.
Eu também quero PAZ! E como quero, amigos! VISITE: http://www.linoresende.com.br/blog blogagem coletiva pela PAZ!
Escrito por Ceci às 11:02
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